Rua
Líbero Badaró, 344 a 350Número de pavimentos: treze mais porão e ático
Ano de conclusão: 1924
Uso atual: escritórios, com comércio no térreo
Proteção: Z8 200-003

O edifício Sampaio Moreira é chamado de "o avô dos
arranha-céus de São Paulo", pois com seus 13 andares e 50 metros de altura foi o prédio mais alto da
cidade desde a sua inauguração, em 1924, até ser superado pelo
Martinelli, cinco
anos mais tarde. Ambos os prédios ficam a poucos metros de distância um do outro
e estão situados na r. Líbero Badaró.
Foi projetado pelo arquiteto Cristiano das Neves, que convenceu o comerciante português José de Sampaio Moreira a bancar o projeto de 1.900 contos de réis. A rua Líbero Badaró, que até 1910 era uma rua estreita e mal-afamada, tinha sido alargada durante a década de 1910, como parte do plano de remodelação da região central da cidade. A Líbero Badaró passou de 7 para 18 metros de largura, e se tornou uma das mais valorizadas ruas comerciais da cidade. O escritório de Cristiano das Neves e de seu pai Samuel das Neves foi responsável por nada menos que 25 projetos para a rua entre os anos de 1910 e 1925. A Líbero Badaró encheu-se de prédios de alta qualidade arquitetônica e que formavam um conjunto estilisticamente harmonioso.
Ao que parece o próprio Cristiano das Neves escolheu a dedo o local da edificação, de modo que ficasse de frente para o espaço entre os dois pavilhões gêmeos do parque Anhangabaú, hoje desaparecidos, projetados por seu pai Samuel das Neves. O Sampaio Moreira foi o primeiro prédio a romper com o padrão horizontal dos prédios do vale do Anhangabaú, até então dominado pelos pavilhões.
O próprio proprietário, José de Sampaio Moreira, não era o único reticente quanto à construção de um edifício daquele porte. O grande urbanista Vítor Freire, rival de Samuel das Neves. A historiadora Maria Cecília Naclério Homem entrevistou Cristiano das Neves pouco antes de este falecer, em 1982, e colheu o seguinte depoimento:
"Lembrava-se, o arquiteto, de que precisou lutar contra os profisionais da Prefeituras, encabeçados por Victor da Silva Freire, então Diretor de Obras Públicas: 'Victor Freyre não queria aprovar a planta porque era francófilo, não simpatizava com prédios altos. Apesar de a altura do edifício estar conforme à largura da Rua Líbero Badaró, onde se situa, ele alegava que o balcão possuía dois metros de balanço, quando, por lei, só poderia ter 85 centímetros".
'Mas', continuou Cristiano, 'o Prefeito Firmiano Pinto estava a meu favor. Rcorremos, então à Câmara Municipal, que fez uma lei especial aprovando a construção do 'Sampaio Moreira'. E o prédio foi um sucesso. Considerado um colosso, na época, chegou até a assustar as pessoas."(HOMEM, Maria Cecília Naclério, pg. 50)
A fachada do edifício, no indefectível estilo Luís XVI, o preferido de Cristiano das Neves, é extremamente movimentada, constituindo-se de 3 módulos, um módulo central com uma grande janela e dois módulos laterais com 2 janelas menores cada. O 9º e o 10º andares são guarnecidos por um balcão corrido sustentado por mísulas no 9º e por uma colunata no 10º andar, sendo que o balcão se projeta em um grande arco no módulo central. A fachada é coroada por uma falsa mansarda e por um pergolado no terraço, originalmente concebido como um terraço-jardim e que abrigaria um salão de chá.
O Sampaio Moreira chegou até os dias de hoje perfeitamente conservado, com todas as características originais, incluindo os elevadores suecos Graham Brothers. Em seu térreo, abriga outro tradicional ponto do Centro, a Mercearia Godinho. O que mudou completamente foi a paisagem à sua volta. Os pavilhões do parque Anhangabaú foram demolidos para a construção de arranha-céus que desfiguraram o cenário do vale. O Sampaio Moreira ainda pode ser visto do Anhangabaú, no espaço que separa os prédios Conde de Prates do Mercantil Finasa.
A quem interessar: o prédio inteiro de 180 escritórios, 596 m² de terreno e 5360 m² de área útil está a venda por 6,5 milhões de reais - o preço não poucos apartamentos de alto luxo em São Paulo. Uma pechincha, em se tratando de um patrimônio arquitetônico e paisagístico da cidade em tão boas condições.
Agradecimentos: Sr. Ademar, Sr. André, Sr. Justino.
Referências bibliográficas:
HOMEM, Maria Cecília Naclério. O prédio Martinelli: a ascensão do imigrante e a verticalização de São Paulo. São Paulo, Projeto, 1984.
SOUKEF Junior e RUBINO, Silvana: Estação Júlio Prestes. São Paulo, Prêmio Editorial, 1997.
Fotos - créditos: Jorge Eduardo Rubies
Clique nas imagens para ampliar:
Jorge Eduardo Rubies