Palacete Lellis

Rua Aurora, nº 244 a 254; Rua Santa Ifigênia, nº 339 a 355

Número de pavimentos: 5

Ano de conclusão: ?

Uso: comércio no térreo;  residencial nos demais andares

Proteção: Z8 200-010

 

A partir dos anos 20, surge uma novidade em São Paulo: os primeiros edifícios de apartamentos para a classe média. Os bairros residenciais começavam a ficar afastados do centro, e tais prédios constituíam uma opção de moradia para quem queria permanecer na região central. Esse novo tipo de edificação foi possibilitado também pela popularização do concreto armado em São Paulo, que ocorreu exatamente nessa época.

É claro, esses prédios de apartamento pioneiros são muito diferentes dos construídos hoje em dia: não possuem jardins e muito menos garagem, já que automóveis tinham um mercado restrito na época mesmo para a classe média; ocupam a área inteira do lote, com um pequeno poço de ventilação e iluminação. Possuem comércio no térreo, e as áreas sociais, como o hall de entrada, são reduzidas. É um modelo de habitação dominante na Europa e em Nova York ainda hoje, e defendido atualmente por muitos urbanistas pois permite que mais gente more no centro das cidades, mas que caiu em desuso no Brasil.

O Palacete Lellis é representativo dessa nova tendência: construído nos anos 20, no estilo eclético dominante na época, dá uma idéia de como eram esses primeiros prédios de apartamentos. Destaca-se por sua localização numa esquina movimentada de Santa Efigênia e por sua bela ornamentação.

A fachada de cada uma das ruas, revestida em bossagem, possui um corpo central saliente com balcões no terceiro e quarto andares, e arrematado por um frontão em estilo neobarroco, ornamentado com cártula. Na esquina, sobressai um volume prismático do qual se projetam três balcões suportados por consolos na altura do terceiro andar, e coroado por uma cúpula revestida de latão. Os frontões das janelas variam de andar para andar: cimbrados no primeiro, ondulados no segundo e assim por diante; na torre da esquina as janelas laterais com balcões são coroadas por mascarões.

O prédio preserva as características originais, inclusive o elevador com portas pantográficas, embora necessite de melhor conservação. Há muito os proprietários originais de classe média deixaram o prédio, atualmente ocupado por moradores de renda mais baixa, que vivem em meio ao burburinho de uma movimentada rua comercial - a rua Sta. Ifigênia, conhecida por seu comércio de eletroeletrônicos, numa das regiões mais degradadas do centro, a "cracolândia".

 

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Jorge Eduardo Rubies Jorge Rubies Jorge Eduardo RubiesJorge  Eduardo Rubies