Antigo Cine Paramount
(Teatro Abril)
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Avenida Brigadeiro Luís Antonio, nº 411Número de pavimentos: dois Ano de conclusão: 1929 Uso atual: teatro Arquiteto: atribuído a Arnaldo Maia Lello Proteção: Z8 200-061 |
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Foto - divulgação
O antigo Cine Paramount possui uma das mais belas fachadas
de cinemas em São Paulo. É um dos raros prédios de cinemas dos anos 20 ainda
existentes na cidade, juntamente com o Cine Cairo e os antigos Cine Oberdan e
Cine Mourisco, tendo sido o primeiro cinema especialmente construído para exibir filmes
sonoros. E agitou o mundo artístico nos anos 60, e não com a sétima arte, mas por
sediar os festivais de música da Record.
A famosa empresa cinematográfica norte-americana ergueu seu cinema, cuja construção custou 400 contos de réis, na então elegante avenida Brigadeiro Luís Antonio, que no início do século XX era uma via residencial de alto padrão. O projeto do edifício é atribuído a Arnaldo Maia Lello - um dos mais subestimados profissionais da área em São Paulo, responsável por outros projetos marcantes na paisagem urbana da cidade, como o esplêndido prédio comercial com ornamentação neogrega, coroado de acrotérios, no final da avenida Ipiranga (atualmente abandonado). É incompreensível que um profissional do gabarito de Maia Lello não tenha merecido até hoje nenhum livro ou estudo mais aprofundado.
O Paramount foi inaugurado em 29 de abril de 1929 com o filme "Alta Traição", de Ernst Lubitsch. Além de filmes, também podia receber espetáculos teatrais, já que dispunha de palco. Assim descreve Inimá Simões o impacto da inauguração do Paramount, em seu imprescindível "Salas de cinema em São Paulo"
"O PARAMOUNT é o "máximo". Seu estilo "neoclássico afrancesado" e sua suntuosidade rivalizam com a do Teatro Municipal, calcado no Opera de Paris, até então o parâmetro máximo de elegância e cultura. Otávio Gabus Mendes, correspondente paulista de Cinearte, sob as iniciais OM, comenta na edição de 24/4/29: "São Paulo lucrou com isso. Principalmente or ter um dos melhores cinemas da América do Sul, e além do mais pelo facto de terem sido nelle, introduzidos antes de qualquer outra localidade da América do Sul, aparelhos 'movietone' e 'vitaphone', que tanto vem dando comentários às imprensas cinematográficas mudiaes. E o PARAMOUNT, além do mais é o cinema que fazia falta à São Paulo. A beleza magnifica de sua construção tem dado o que falar e as enchentes formidáveis que apanhou são, sem dúvida, o testemunho que o público dá de que aplaude qualquer iniciativa, conquanto que ella seja bôa de facto. Parabéns!'"

Anúncio da inauguração do Paramount no jornal O Estado de S. Paulo de 29/04/29
A inauguração do Paramount se deu em com o filme "Alta Traição" (The Patriot), de Ernst Lubitsch, o início de décadas de carreira como um dos cinemas mais concorridos de São Paulo. Nos anos 60 foi alugado para a TV Record - época em que justamente os cinemas começavam a sentir a concorrência da televisão - para a realização de diversos programas de auditório e os Festivais de Música Popular Brasileira: em 1967 foi realizado o III Festival que contou com músicas que marcaram a MPB como "Alegria, Alegria", de Caetano Veloso e "Roda Viva". No ano seguinte, o IV Festival consagrou Tom Zé com seu hino a São Paulo "São, São Paulo meu amor".
Em 1969, o Paramount pegou fogo e o auditório ficou destruído, ficando intactos a fachada e o foyer. Reabriu nos anos 70 dividido em cinco salas. No entanto, os cinemas de rua iam perdendo mais e mais espectadores para a televisão, para os novos cinemas construídos na avenida Paulista nos anos 70, e a partir dos anos 80, para os cinemas de shopping. Um a um, os cinemas do centro foram fechando as portas, uns sendo demolidos, outros convertidos em estacionamentos ou igrejas evangélicas e outros para sobreviver, passaram a exibir filmes pornôs. O Paramount resistiu até 1995, quando fechou as portas de vez. Foi salvo da demolição quase certa por estar tombado por lei municipal.
No final dos anos 90, a empresa mexicana CIE se interessou pelo edifício, e investiu no seu restauro e modernização. Enquanto os arquitetos Haroldo Gallo e Marcos Carrilho foram encarregados da restauração da fachada e do foyer, o escritório Aflalo e Gasperini projetou a completa reconstrução do auditório, transformado numa moderna sala de espetáculos. Após a reinauguração o Paramount, rebatizado de Teatro Abril, se especializou no segmento de musicais.
A rica fachada do Paramount é no térreo decorada com bossagens e com cinco portas de ferro trabalhado. No andar superior há quatro pares de colunas separando os cinco janelões guarnecidos por balcões, sendo que os dois pares centrais são coroados por um frontão triangular. A rica ornamentação também é composta por altos-relevos, mascarões e uma lira no centro sob o frontão.
No hall de entrada têm destaque as colunas cujos capitéis são decorados com carrancas. A sala de espetáculos possui 1500 lugares. O subsolo, antes estacionamento, atualmente abriga os camarins, atividades de apoio, equipamentos e ar condicionado.
Agradecimento: Maria Inês Costa
- Assessora de Imprensa CIE Brasil.
Referências bibliográficas
1 - SIMÕES, Inimá Ferreira. Salas de cinema em São Paulo: PW/ Secretaria Municipal de Cultura/ Secretaria de Estado da Cultura, 1990.
2 - MOURA, Éride. Teatro histórico é remodelado para receber modernas instalações. Revista Projeto/Design, n. 256, p. 42-49, jun. 2001.
3 - BRAGA, Rosa Maria Faria (org.) Bens culturais arquitetônicos do Município e na Região Metropolitana de São Paulo. São Paulo: Emplasa, 1984.
Fotos - divulgação
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Hall de entrada |
![]() Capitel do hall |
Jorge Eduardo Rubies