O Castelinho da Rua Apa pede socorro

 

 

(Atualização março de 2007 - lamentavelmente nossas inicativas de tentar salvar o Castelinho até agora não tiveram sucesso. Agradecemos a todos os que aderiram ao abaixo-assinado para tentar salvar o Castelinho, porém resolvemos retirá-lo e informar que não mais estamos procurando ativamente uma maneira de salvar o imóvel.)

Nosso objetivo inicial era fazer um artigo sobre o Castelinho da rua Apa igual aos demais artigos sobre edifícios importantes em São Paulo. Porém, devido ao atual estado de destruição do Castelinho, achamos que era preciso fazer algo mais. O Castelinho, construído em 1912 e situado na rua Apa nº 236, esquina com avenida São João, precisa ser restaurado urgentemente ou corremos o risco de perdê-lo em pouco tempo. O que mais surpreende na história é que o Castelinho não pertence a uma família falida, ou a um espólio em disputa, o que talvez pudesse explicar a razão do abandono. Na verdade, o Castelinho é nosso - é propriedade da União.

O Castelinho (não confundir com o Castelinho da Brigadeiro Luís Antonio, recentemente restaurado), mesmo detonado, é um marco da paisagem da igualmente detonada Av. São João, bem no trecho em que é sufocada pelo minhocão. Foi outrora o palácio de uma rica e tradicional família da cidade, e cenário de um crime chocante até hoje não esclarecido.

Nele habitavam Maria Cândida Reis e seus filhos, Armando e Álvaro. Conhecidos, conceituados, milionários. No dia 13 de maio de 1937, os corpos de mãe e filhos são encontrados no interior do imóvel. Haviam sido mortos a tiros. O caso rendeu manchetes durante vários dias nos principais jornais de São Paulo: Quem matou a família Guimarães dos Reis? - o  mistério eletrizava a população da cidade. Segundo a versão da polícia, o boêmio e Álvaro tinha a idéia de transformar o Cine Broadway, de propriedade da família, em ringue de patinação. Seu irmão, o advogado Armando, era contra. Teria havido uma discussão. Um dos irmãos saca uma arma e dispara contra o outro. A mãe, ao ver a briga, corre para se interpor entre os dois, mas também é atingida. O atirador, desesperado, resolve dar fim à própria vida. A polícia nunca descobriu qual dos irmãos seria o assassino. A população nunca se convenceu da história dos policiais.

Na época, heranças vacantes passavam a ser propriedade da União, e o castelinho é imóvel federal até hoje. Pelo que pudemos apurar, as agruras do Castelinho começaram com a construção do minhocão em 1971, que levaram à desocupação do imóvel por seus inquilinos. O governo se desinteressou completamente do imóvel, levando a sua rápida e total deterioração.

Em 8 de julho de 1990, o jornal Shopping News noticia a intenção da funcionária da Justiça Susan Ianacce e do advogado Milton Bednarski de restaurar o Castelinho, já então abandonado, e transformá-lo no Museu do Crime de São Paulo.

Atualmente, o Castelinho é ocupado pelo Clube de Mães do Brasil, que infelizmente não dispõe de recursos sequer para manter suas atividades de inclusão social, quanto mais para recuperar o imóvel. O Castelinho encontra-se semi-arruinado, embora passível de restauração. Quando entrei nele para tirar as fotos, estava cheio de entulho e sujeira no térreo; nem o telhado nem o piso do primeiro andar e forro do térreo existiam mais. Para se chegar ao pouco que restou do piso de madeira do primeiro andar (quase nada), tive que subir por uma escada improvisada e quase despenquei ao pisar num dos últimos tocos de madeira podre do piso, que cedeu.

A restauração do Castelinho é absolutamente imperiosa por duas razões principais. Primeiro, por se tratar de um PATRIMÔNIO HISTÓRICO, ARQUITETÔNICO E PAISAGÍSTICO da cidade de São Paulo, reconhecido como tal pela população e principalmente pelos que vivem e circulam pela região da av. São João, embora absurdamente jamais tenha sido tombado pelas autoridades. Segundo, por ser PROPRIEDADE PÚBLICA. Seu estado de conservação é testemunho do desmazelo e da negligência com que as autoridades federais têm tratado o patrimônio da União no Brasil nos últimos governos - espero que dessa vez a história seja diferente, mas não sem pressão direta da população pela restauração do imóvel.

Por isso, pedimos a todos que subscrevam o abaixo-assinado pela restauração do Castelinho. Não custa nada, pelo contrário: é um favor que estarão fazendo a vocês mesmos e às futuras gerações de brasileiros. Afinal, o Castelinho é do povo - é nosso.

Atualização março de 2007 - plantas do Castelinho da Rua Apa gentilmente fornecidas por João Gimenez (formato pdf).

Planta Planta Assoalho
Elevação em corte Pavimento Térreo Térreo e superior
Banheiro inferior Esquadrias

Fotos - créditos -Jorge Eduardo Rubies

Clique nas imagens para ampliar:

 

 

 

Jorge Eduardo Rubies Jorge Rubies Jorge Eduardo RubiesJorge  Eduardo Rubies

 

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