Breve histórico da Rua XV de Novembro
por Marcos Fernandes Calixto Rios
Introdução
A história do crescimento da cidade de São Paulo pode ser abordada através de múltiplas variáveis, cada qual revelando, de modo distinto, aspectos da cidade que hoje se desconhecem, devido ao crescimento vertiginoso ocorrido nos últimos 130 anos.
A expressão “3 cidades em 1 século”, subtítulo do livro do prof. Benedito Lima de Toledo acerca das transformações sofridas por São Paulo, transmite essa idéia de forma a pontuar no tempo essa transformação: no intervalo entre as décadas de 1870 e 1970 (época da publicação do livro) a capital paulista saltou dos 30 mil para os 5 milhões, modificando totalmente sua aparência como cidade.
Na própria obra de Benedito de Toledo, encontramos registros de locais do centro paulistano que merecem uma explicação histórica mais profunda, a fim de que se compreenda como um espaço urbano pôde passar por transformações tão profundas. A mudança de uso das edificações - de residenciais para comerciais ou mistas - , o acelerado desenvolvimento econômico paulista, aumento do valor do solo urbano, demolição e verticalização das construções, são apenas alguns dos fatores encadeados que permitem explicar a expansão urbana pela qual a cidade de São Paulo passou, que teve no centro histórico um expoente importante.
Ao abordarmos uma rua desse setor da cidade, o mais antigo e o que mais passou por transformações profundas, podem se tornar mais claras as etapas dessa transformação, podendo transparecer os agentes sociais, os quais foram – e são, até hoje – personagens do ato contínuo de transformação da cidade: os proprietários, moradores e construtores das edificações.
A história da Rua
A rua XV de novembro teria sido uma das principais ruas da cidade de São Paulo entre o final do século XIX e início do XX, abrigando diversas lojas, serviços, bancos, assim como as ruas Direita e São bento, com as quais constitui o chamado “triângulo”, referência histórica do crescimento da cidade presente até hoje no tecido urbano da colina central paulistana.
Chamada de Rua do Rosário no século XVIII e Rua da Imperatriz de 1846 a 1889, a historiografia sobre São Paulo permite qualificá-la como rua extremamente significativa, saindo da Praça da Sé, margeando a região do Páteo do Colégio, e desembocando na Praça Antônio Prado, localidade que tornou-se referência na cidade no início do século XX. Essa praça, até 1904, chamava-se Largo do Rosário, onde fora erguida a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos por volta de 1710, a qual deu nome ao Largo e à atual rua XV de novembro, que rumava na direção de seu frontispício. Antes da Igreja, a rua teria se chamado Manoel Paes Linhares, em homenagem a um suposto bandeirante que ali teria terras.
Segundo recentes pesquisas de Nestor Goulart Reis Filho acerca de São Paulo nos séculos XVI e XVII, a rua era um caminho por onde provavelmente se acessava o porto Geral, localizado na esquina da ladeira homônima com a atual r 25 de março, por onde passava o Rio Tamanduateí antes de sua canalização. A ocupação da rua teria ocorrido ao longo dos séculos XVII e XVIII, quando a cidade começou a se expandir a norte do Colégio dos Jesuítas, na direção do mosteiro de São Bento, erguido em 1630.
De acordo com a Planta da restauração, publicada pela primeira vez pelo prof. Nestor Reis em seu livro São Paulo: Vila, Cidade, Metrópole, com data estimada entre 1765 e 1774, a antiga rua do rosário já fazia parte do corpo urbano principal paulistano apresentando ambos os lados da via quase totalmente edificados.
Nas últimas décadas do Brasil Colônia, a rua teria abrigado estabelecimentos comerciais, o que era uma exceção nas ruas da cidade, pois as casas existentes eram quase todas de uso residencial. Quem pôde permitir essas conclusões foi a Profa. Beatriz P. S. Bueno, historiadora e professora de Estudos de Urbanização da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.; com base na décima urbana de 1809, espécie de imposto predial cobrado pela administração municipal antigamente, puderam ser identificados, entre outras informações, os usos das edificações existentes então, permitindo vislumbrar a configuração urbana de São Paulo numa época de documentação escassa e, portanto, poucas informações a respeito. As atuais ruas Álvares Penteado, do Tesouro, da Quitanda e Direita completam o conjunto de vias nas quais existiam casas de uso comercial, junto com a XV de Novembro, então rua do Rosário.
Foi uma vocação que não parou de crescer, talvez por ser a rua uma rota mais curta entre a Praça da Sé e o porto, facilitando o acesso a bens que viriam do interior ou do litoral via Tamanduateí.
A existência da Igreja do Rosário fez com que se concentrassem ali pessoas ligadas à irmandade religiosa do Rosário dos Homens Pretos, procurada principalmente por escravos e por africanos alforriados, que acabavam por se estabelecer nas imediações, as quais abrigavam não somente atividades ligadas ao catolicismo e à devoção a Nossa Senhora do Rosário, mas também manifestações culturais típicas da comunidade afro-descendente.
Em São Paulo, fora comum antigamente a passagem de procissões religiosas, carros abertos (carruagens), e outros cortejos cívicos pelas ruas do triângulo. A XV de Novembro não ficava atrás, tanto que em 1846, ao receber em cortejo o Imperador D. Pedro II e sua esposa D. Teresa Cristina, mudou-se o nome da rua para “da Imperatriz”, em homenagem à esposa de D. Pedro.
Um fato bem curioso sobre a rua nessa época está presente em “São Paulo antigo: 1554-1910”, de Antonio Egydio Martins:
“(...) o prédio de sobrado que faz frente para o Largo do Tesouro e para a Rua XV de Novembro, pertenceu aos herdeiros de Felizardo Antonio Cavalheiro e Silva, falecido a 21 de janeiro de 1876, o qual, em 1852, mandou construí-lo, havendo o comerciante Domingos de Paiva Azevedo, a propósito da construção do prédio, dito ao mesmo Cavalheiro:
_ Está fazendo o seu sobradão?
_ Estou sim. Isso é para quem tem ânimo – respondeu o Cavalheiro.
_ Ah! É para quem tem ânimo... pois vais ver um outro de três andares – disse o comerciante Domingos Paiva, que imediatamente deu as providências para ser feito o referido prédio, que ficou concluído em 1854 e, há cerca de 4 anos, foi demolido e construído no mesmo local o que ora existe, situado na Rua da Imperatriz, hoje XV de novembro, esquina da das Casinhas, hoje do Tesouro e onde está o Café Caruso.
O antigo prédio térreo que nesse lugar existiu e que, por capricho, o comerciante Domingos Paiva mandou demolir e construir o de três andares, pertenceu antes ao comerciante Bernardino Antonio de Azevedo, que foi nele estabelecido com loja de fazendas, fundada em 1812.”
Essa passagem traz à tona a vocação comercial de uma casa de esquina na rua XV, desde a loja de fazendas citada de 1812, passando pela inveja de seu proprietário em 1852 que a tornou a mais alta edificação da cidade, até a existência de um Café no local já próximo de 1910.
O comércio na rua XV de novembro começa a se desenvolver e se multiplicar paralelamente à economia paulista. O Almanaque de 1873, publicação que listara lojistas, fazendeiros, e outros profissionais de toda a província de São Paulo, já apontava a rua da Imperatriz como um dos principais locais escolhidos para instalação de comércio e serviços para a elite.
Essa transformação se torna visível ao observarmos as fotos de Militão Augusto de Azevedo, constantes no seu “Album comparativo da cidade de São Paulo/1862-1887".
Ao início dos anos 1900 este quadro já havia se transformado, com grande parte dos estabelecimentos apresentando dois andares ou mais. O crescimento paulistano estava representado na rua XV, através das numerosas lojas, escritórios e restaurantes cujo público era de alto poder aquisitivo. Isso era válido também para as outras duas artérias que conformam o “triângulo histórico” ou “triângulo central” da cidade, as ruas Direita e São Bento, constituindo uma região atrativa para os barões do café e seus familiares fazerem suas compras, refeições, e outros programas.
A atividade residencial foi perdendo lugar na rua, assim como em todo o triângulo, sendo que nas imediações da Igreja do Rosário as comunidades ligadas à irmandade foram perdendo espaço, até que se completasse esse processo, em 1904, quando da demolição da igreja. As famílias mais humildes ligadas à irmandade, geralmente descendentes de escravos libertos, foram para outros bairros, enquanto, do outro lado do Vale do Anhangabaú, no Largo do Paissandu, fora erguida a nova Igreja do Rosário, que se encontra lá ainda hoje.
No seu lugar foi erguido o edifício Martinico Prado, hoje sede da BM&F.
A mudança do nome da praça, de Largo do Rosário para Praça Antonio Prado, só reforça o processo da apropriação daquele espaço pela mais rica camada populacional de São Paulo, da qual Antonio Prado – o primeiro prefeito da cidade, e rico comerciante e investidor – era extremamente representativo.
Essa grave questão social, implicando em expulsões e demolições, foi acompanhada pelo ordenamento urbanístico da região, ocorrendo uma ação do poder público para geometrizar as ruas de todo o centro velho, deixando ruas mais alinhadas, com calçadas paralelas, o que tornou as ruas mais aptas para melhorias como a instalação de trilhos de bonde, executada na década de 1900.
Os ares eram de mudança e cosmopolitismo, fazendo com que a cidade ganhasse, aos olhos de sua elite, uma aparência de civilização que não combinava com os antigos edifícios de taipa – já nessa época disfarçados por uma ornamentação de caráter eclético.
Dessa maneira, todos
os proprietários e lojistas queriam que sua casa fosse tão ou
mais bonita do que as outras; a busca por esse diferencial fez com que se
contratasse engenheiros-arquitetos, - dos melhores que havia na cidade então -
para
que projetassem seus edifícios. Christiano e Samuel das Neves, Max Hehl e Ramos
de
Azevedo são alguns dos profissionais que atuaram na rua, assim como em diversos
projetos de extrema importância para a cidade entre as décadas de 1890 e 1920.
À época, a tônica eram as fachadas em estilos históricos: neoclássicos,
neo-barrocos, neo-românicos; e as disposições legais da prefeitura (que tomaram
forma a partir da década de 1900) incentivavam as fachadas que se mantivessem em
altura uniforme nas ruas, as quais, dessa maneira, adquiriam um aspecto
semelhante
às vias de cidades européias.
Entre 1895 e 1915 como concentradores da transformação da rua: a maioria dos proprietários reconstruíram seus prédios ou refizeram duas fachadas nessa época.
Foi nos fins do século XIX que o tijolo começou a tomar lugar da taipa como material de construção preferido, pois permitia desde divisões internas independentes da estrutura e mais resistentes, até mais de uma loja ocupando o térreo de uma casa, por exemplo. Através do avanço do século XX as estruturas metálicas também foram aparecendo como materiais preferidos pelos engenheiros contratados na rua XV, visto que elas permitiam maior esbeltez nos pilares de estrutura, extremamente desejada em uma rua cujos edifícios ocupavam lotes de até mesmo 5 metros de largura; as lojas assim o faziam, tornando seus interiores mais espaçosos para clientela e produtos, inclusive inaugurando na cidade o habito das vitrines na fachada como meio de exposição para o pedestre – o que antes do tijolo e dos perfis metálicos somente ocorria através de “araras” repletas de produtos, exibidos nas portas dos estabelecimentos.
Todo esse universo do comércio da “belle-epóque” paulistana pôde ser desvendado pela pesquisadora Heloísa Barbuy, do Museu Paulista da USP, que estudou em detalhes as lojas que se instalaram nas ruas do triângulo central da cidade entre 1890 e 1915, no âmbito da cultura material e dos ares de “cidade moderna” que a cidade ganhava então.
Os bancos foram outra espécie de estabelecimento constante na rua, tornando-a um respeitado pólo econômico-financeiro em São Paulo na mesma época da pujança comercial. Essa tendência permaneceu na rua após a década de 20 – na qual o caráter do comércio se modifica, tendo ocorrido uma constante multiplicação de lanchonetes, bares, charutarias e casas lotéricas na rua. O Banco Alemão(1906), o Banco Francês e Italiano(1918) para a América do Sul, o Banco do Estado de São Paulo(1937) e o Banco Português(1919) são exemplos de estabelecimentos cujo projeto arquitetônico primoroso, bem como a conservação das construções através das décadas, permitiram a permanência de seus edifícios até o presente, tendo esses quatro merecido, inclusive, tombamento pelo CONDEPHAAT.
Cartões postais e fotografias do começo do século revelam uma rua movimentada, enfeitada por toldos e bandeiras, e permeada por edifícios de arquitetura eclética, rebuscados, dotando a rua de uma aparência de desenvolvimento e pujança à moda européia, se consolidando possivelmente como uma das ruas mais queridas pelos paulistanos.
A demanda por espaço para escritórios talvez tenha sido uma das primeiras razões para que a altura dos novos prédios na rua fosse cada vez maior, tal qual estava ocorrendo em todo o centro paulistano; incentivos da prefeitura à verticalização também não faltaram, assim como o ensejo de lucro pelos proprietários dos prédios de 3,4,5 andares de então.
O fato é que as décadas de 30, 40 e 50 foram marcadas pela demolição de muitas das edificações da rua, em prol de edifícios que contabilizassem mais salas para escritórios. O resultado, na altura do IV centenário da cidade, foi a aparição de um espaço urbano não mais marcado pela relativa homogeneidade de seus gabaritos e fachadas, mas por arranha-céus que se misturaram aos prédios mais baixos restantes.
E no conjunto desses espigões de aço e concreto, o maior símbolo é o Edifício Altino Arantes – o prédio do Banespa – que com seus 40 e tantos andares faz sombra até hoje na XV de Novembro, visto estar na extremidade norte da rua, esquina com a praça Antonio Prado e a rua João Brícola. Esta rua, aliás, fora uma antiga seqüência da Rua do Rosário, chamando-se Travessa do Rosário em meados dos 1800, e depois Rua do Rosário, entre a proclamação da República e a década de 1910. João Brícola fora um dos ricos proprietários de casas na Rua XV de Novembro, incluindo o grande casarão que existia no lugar do atual arranha-céu do Banespa, que fora doado para a Santa Casa de Misericórdia após a morte de Brícola. Na década de 30, a instituição religiosa permutou o casarão com o edifício estilo art-déco que o banco estadual erguera defronte o Teatro Municipal. A Santa Casa ficou com o edifício, que fora denominado João Brícola, enquanto o banco ergueu na colina central de São Paulo um dos edifícios mais altos da cidade até hoje.
A época presente e considerações finais
Depois da década de 60, a rua XV de novembro passou pelo período que se costuma chamar de “abandono” do centro. Recentemente, esse processo é entendido de outra forma por pesquisadores da área da história do urbanismo, tendo significado na verdade a saída da região central de empresas e investidores de alto escalão para outras áreas, mais cheias de espaço, como fora o caso da Avenida Paulista, que na segunda metade do século XX se consolidou paulatinamente como pólo bancário e comercial, já numa São Paulo capital da economia sul-americana. A saída dessas atividades econômicas de maior escala do centro, considera-se como fator influenciador da saída de diversos estabelecimentos de comércio e serviços – e conseqüentemente de empregos – dos bairros nos atuais distritos Sé, República e adjacentes.
A transformação da rua em calçadão nessa época, se por um lado rechaçou empreendedores de serviços e comércio que primam pelo estacionamento aos pés de seus estabelecimentos, por outro lado permitiu que a arquitetura dos edifícios permanecesse inalterada, em relação aos pavimentos térreos - e por vezes edifícios inteiros – que são profundamente alterados para uso de veículos em diversos prédios por todo o centro, especialmente nas ruas Boa Vista e Líbero Badaró.
De qualquer maneira, hoje em dia toda a rua se encontra permeada por extenso movimento de pedestres, especialmente nas proximidades do Largo do Tesouro, que concentra rotas que levam o pedestre a dois dos pontos mais movimentados da cidade: a Estação Sé e o Terminal Parque Dom Pedro. E para contrastar com esse extenso movimento que ocorre de segunda a sábado, diversas lojas e escritórios na rua se encontram hoje vazios, para alugar. São 43 prédios existentes na rua, dos quais 15 são tombados pelo CONPRESP, CONDEPHAAT ou ambos. Desses, 10 são anteriores à década de 1930.
Os estabelecimentos comerciais, que caracterizavam o extenso movimento da rua nos anos 10, ficam restritos hoje aos quarteirões mais próximos da ladeira e da Sé, enquanto os serviços predominam no resto da rua, em direção à praça Antonio Prado, especialmente os bancos, que ainda hoje têm ali e na rua Boa Vista uma área de concentração significativa.
Entender o processo de crescimento de uma rua como a XV de Novembro é tarefa que envolve uma série de variáveis não citadas neste texto; entretanto é essencial conhecer ao menos os aspectos mais gerais do modo pelo qual nossas ruas se desenvolveram em meio ao dito “caos” do crescimento metropolitano de São Paulo, para que nossa relação com a cidade não ignore a sua formação histórica.
O autor é estudante de graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, e realizou uma pesquisa de iniciação científica durante o ano de 2005 com o título “Uma rua em três tempos: o caso da XV de Novembro em São Paulo”, com orientação da Profa. Dra. Beatriz Piccolotto Siqueira Bueno, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, dentro do Projeto Temático financiado pela mesma FAPESP denominado “Urbanização dispersa e mudanças no tecido urbano” coordenado pelo Prof.Dr. Nestor Goulart Reis Filho.
ACERVOS PESQUISADOS
Álbuns de fotografia virtuais da Biblioteca Mário de Andrade. www.prefeitura.sp.gov.br.
Setor de Documentação do Museu Paulista da USP.
Arquivo Histórico Municipal Washington Luís, do Departamento de Patrimônio Histórico da prefeitura de São Paulo.
Arquivo Municipal de Processos.
BIBLIOGRAFIA
Histórico de ruas do DPH. www.dicionarioderuas.com.br
BUENO, Beatriz P.S. in Anais do Museu Paulista v.10/11
LEMOS, Carlos A.C. Casa Paulista
Álbum comparativo da Cidade de São Paulo. www.prefeitura.sp.gov.br
MARTINS, Antonio Egydio. São Paulo Antigo: 1554 a 1910.
REIS FILHO, Nestor Goulart. São Paulo: Vila, Cidade, Metrópole.
Almanak da Província de São Paulo para 1873.
BARBUY, Heloisa. Cidade-exposição: comercio e cosmopolitismo de 1890 a 1920.
GERODETTI & CORNEJO
FRÚGOLI JR., Heitor. Centralidade em São Paulo: trajetórias, conflitos e negociações na metrópole.